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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Torta com massa de arroz

Bora acabar com o hiatus de receitas vegetarianas nesse blog?


Essa é uma receita bem fácil e os ingredientes do recheio podem ser adaptados com o que tiver em casa: milho, ervilha, champignons, pimentão... A massa de arroz é muito leve e macia. Essa torta dispensa acompanhamentos, podendo ser servida como prato único ou então acompanhada só de uma saladinha.

Ingredientes
Massa:
- 3 ovos
- meia xícara de óleo
- uma xícara de água
- 4 xícaras de arroz cozido (pode ser aquele de ontem...)
- meia xícara de queijo curado cortado em cubos pequenos (ou mussarela, ou queijo prato)
- 1 pitada de sal
- 1 colher (sopa) de fermento

Recheio:
- uma xícara de abobrinha cortada em cubos pequenos
- uma xícara de cenoura cortada em cubos pequenos
- meia cebola cortada em cubos pequenos
- um tomate picado
- uma xícara de palmito picado
- óleo para refogar
- sal e pimenta do reino a gosto

- meia xícara de parmesão ralado para polvilhar

Pré-aqueça o forno a 200ºC.
Cozinhe a cenoura e a abobrinha numa panela com água e sal até ficarem macias (aproximadamente 10 minutos). Enquanto isso vá picando e separando os outros ingredientes.
Escorra a cenoura e a abobrinha e reserve.
Volte a panela ao fogo, aqueça o óleo e frite a cebola até ficar douradinha, acrescente os demais legumes e os temperos e refogue.
Deixe esfriar um pouco e enquanto isso prepare a massa: bata todos os ingredientes no liquidificador, na ordem em que estão na receita, até ficar homogêneo.

Numa fôrma antiaderente (ou de alumínio untada e enfarinhada), coloque metade da massa, alisando com uma espátula, depois o recheio e o restante da massa. Polvilhe o parmesão ralado e leve ao forno até dourar (uns 25 a 30 minutos).

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

BEDA #11: Como começar a se tornar vegetariano - parte II

Hoje segue a segunda parte desse post aqui, com mais dicas sobre como começar a se tornar um vegetariano de forma simples e sem stress. São dicas úteis também pra quem não tem a intenção de ser vegetariano, mas pretende reduzir o consumo de carne.

Por onde eu começo?

Existem muitas formas e cabe a cada pessoa ver o que se adapta à sua vida. Quando me tornei vegetariana ainda não conhecia nenhuma dessas campanhas, mas aqui vão algumas ideias que tenho visto e gostei muito:

Segunda sem carne



As bases da Segunda Sem Carne estão nesse site, onde tem muitaaaaaas receitas fáceis, dicas de nutrição, notícias, depoimentos e uma lojinha fofa. Segunda-feira é o dia oficial de começar algo novo, então que tal começar a semana com uma alimentação sem carne? Sem contar que no final de semana a gente costuma exagerar em tudo (comida, álcool, açúcar...), então uma segunda-feira sem carne, com uma alimentação mais leve, colorida e nutritiva, pode funcionar como um detox pro corpo eliminar mais facilmente o inchaço e as toxinas.

Vegetariano de segunda a sexta-feira



Essa ideia eu vi nesse vídeo e achei muito interessante. O palestrante relata que vem pensando no quanto o consumo de carne causa danos ao meio ambiente e sofrimento aos animais; por outro lado, ainda não está preparado pra comer seu último hambúrguer. A solução que ele encontrou foi ter uma alimentação vegetariana de segunda a sexta-feira. Os finais de semana são livres, ele pode consumir carne ou não. (Claro que um vegetariano propriamente não come carne nem mesmo eventualmente, mas vocês entenderam a ideia, né?)

21 dias sem carne



Há vários anos, estudos vem mostrando que, ao praticar determinada coisa por 21 dias seguidos, ela se incorpora à sua rotina e se torna um hábito. Essa é a ideia do 21 dias sem carne, que vocês podem conferir nesse perfil do Instagram e nesse site. Ficar por um período mais longo como esse sem consumir carne já é suficiente para o corpo sentir os bons efeitos de uma alimentação vegetariana, como eliminação do inchaço, perda de peso, mais disposição, regularidade do sono, pele mais viçosa e hidratada. O perfil no Insta mostra dicas, mensagens de incentivo, fotos inspiradoras de comidas veganas e muitas receitas.

É como eu já disse antes: não precisa ser 8 ou 80, existem muitos meios-termos e todo esforço é importante e faz diferença!

Alguém a fim de tentar? Me contem!

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

BEDA #5: Como começar a se tornar vegetariano - parte I

Algumas semanas atrás eu escrevi um post sobre como é ser vegetariana e a recepção foi tão, tão, TÃO INCRÍVEL que eu achei que era hora de falar mais sobre isso, então hoje vou dizer em algumas linhas gerais como uma pessoa pode começar a se tornar vegetariana, de forma gradual e bem relax.

Também são coisas válidas pra quem não tem a intenção de se tornar vegetariano, mas apenas reduzir o consumo de carne e ter uma alimentação mais natural e saudável.

Era pra ser um post só, mas ficou gigante então decidi dividir em duas partes. Na próxima semana eu publico a segunda.

1. Adicione alimentos à sua dieta



Você pode simplesmente começar retirando a carne do seu cardápio. Mas há outras formas.

Quando você pretende iniciar uma dieta (dieta = modo de se alimentar) com restrição de determinado grupo de alimentos, seja por qual motivo for (perda ou ganho de peso, ou mesmo em busca de uma vida mais saudável) a forma mais tranquila de fazer isso é começar inserindo novos alimentos no seu dia-a-dia. Se você é do time que almoça arroz, feijão, alface, tomate e bife, e só, vai obviamente se sentir mal se retirar a carne. Mas se você gosta de (e consome regularmente) arroz, feijão, lentilha, grão de bico, feijão branco, soja, alface, couve, acelga, repolho, tomate, cenoura, beterraba, batata, abobrinha, cogumelos, e mais algumas frutas, o processo todo vai ser bem mais fácil. Eu já disse antes: ser vegetariano é descobrir um mundo de novos sabores, e eles podem sim ser espetaculares! Então, enquanto retira a carne das suas refeições, inclua mais vegetais. Desafie-se a experimentar. Quando você se der conta, nem estará sentindo falta da carne e vai ficar plenamente satisfeito com os vegetais.

2. Vá a restaurantes vegetarianos



Eles são excelentes lugares para conhecer novos alimentos, ou mesmo novas preparações feitas com alimentos que você já conhece. De vez em quando almoço em um restaurante vegetariano e foi lá que eu conheci coxinha vegetariana (com recheio de proteína texturizada de soja e legumes, tudo super bem temperado), feijoada vegana (com as proteínas de soja defumadas, e estava perfeito) e lasanha de berinjela (estava maravilhosa, e olha que eu nem gosto de berinjela).

3. Aprenda a cozinhar



Isso não é essencial, mas facilita muito a vida! Não precisa ser nível finalista do Master Chef. Sabendo o básico pra conseguir se virar já tá de bom tamanho. Pra mim, o impulso pra começar a cozinhar de verdade foi um curso de culinária chinesa que eu fiz pelo SENAC da minha cidade. Há muitas formas de aprender, seja em um curso presencial de curta duração (o que eu fiz foi de três horas por dia durante uma semana), em vídeo pelo Youtube, pelo Eduk, ou mesmo pedindo ajuda a alguém que você conheça. Também não existe necessidade de preparar uma refeição inteira de uma vez; faça um prato só, uma panqueca, uma torta, um quibe vegetariano, uns legumes refogados ou assados... Ninguém nasce sabendo, tem que ir tentando. A prática leva à perfeição.

4. Você não precisa de um rótulo



Quando você vai deixando de comer carne, é comum que as pessoas te pressionem pra colocar um nome na sua nova dieta. Esqueça isso. Não precisa levantar bandeira. Não existe necessidade de se apresentar logo de cara como vegetariano, ou vegano, ou crudívoro. Vá com calma e deixe os novos hábitos se incorporarem à sua vida.

5. Não espere apoio



Várias pessoas já me disseram que começaram a ser vegetarianas, mas voltaram a comer carne porque não tiveram apoio dos pais/namorado(a)/marido/esposa/amigos. Mas me fala que importância tem a opinião das pessoas sobre um hábito que você escolheu considerando que é o melhor pra você? Decida se é mais importante agradar aos outros (que, por mais que te amem, talvez não te entendam em alguns aspectos e não apoiem seus projetos) ou estar em paz com a sua consciência e o seu corpo.

Um breve relato: até hoje - mais de seis anos depois de ter me tornado vegetariana - eu escuto de pessoas próximas que não precisa ser tão radical e que é impossível viver sem comer carne. E daí? Faz parte! Eu fiz minha escolha por amor aos animais, ao meio ambiente e ao meu corpo e isso é o que me traz paz à consciência.

E aí, alguém disposto a tentar? Me conta!

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

BEDA #1: 5 restaurantes em Marília - SP

Blogueira sumida por motivo de: monografia + emprego novo.

A monografia acabou, graças a Deus, depois de vinte dias de trabalho intenso (e quando eu digo intenso, é INTENSO, sem parar pra assistir série nem pintar as unhas) e o emprego é outra história, e mesmo com essa loucura toda eu tô tão feliz. =)

E a novidade é que vai ter BEDA, então vamos ao que interessa!

As saídas dos últimos meses foram suficientes pra estabelecer um top 5 de restaurantes favoritos em Marília - pelo menos até agora!

Chaplin



É o bar/restaurante mais tradicional de Marília, e acredito que seja o mais antigo também. No cardápio tem pizzas, massas, porções, saladas e carnes, além de uma infinidade de bebidas. Nas noites quentes e nos finais de semana ensolarado, as mesinhas na calçada sob as árvores lotam! Lugar gostoso pra passar horas batendo papo e apreciando um chopp gelado. E a pizza é maravilhosa. 

Avenida República, 129, Centro.


Donna Oliva



Na minha opinião, divide o posto de melhor pizza de Marília com a 515. O ambiente é muito bonito e aconchegante e é uma pena que a foto não faça jus à beleza do lugar. Massa fininha e forno à lenha. Vários sabores vegetarianos!

Avenida Sampaio Vidal, 160, Centro.


Tshu Shin

É um vegetariano ótimo que funciona de segunda a sábado das 11h às 14h30. O buffet é bem variado, tem em média 20 pratos por dia, entre saladas e pratos quentes, tudo muito gostoso. Tem de tudo um pouco, de comida oriental a brasileira (a feijoada vegana é imperdível, todas as sojinhas defumadas, bom demais). O ambiente é tranquilo, simples, muito limpo e agradável. A variedade nem deixa os onívoros sentirem falta de carne, então é legal pra levar pessoas não-vegetarianas pra conhecer pratos novos. Garanto que vai agradar.

Avenida Carlos Gomes, 128, Centro.


515



Pizzas em uma infinidade de sabores, assadas no forno à lenha, com várias opções vegetarianas. No menu também tem saladas, pratos executivos, porções e lanches. Recomendo demais a lasanha, que é maravilhosa e montada na hora (no cardápio todas tem presunto, mas vegetarianos podem ir sem medo, é só pedir pra fazer sem).

Rua Antonio Galina, 250, Jardim Portal do Sol.


Kopenhagen La Basque



Dá pra juntar os cafés e chocolates deliciosos da Kopenhagen com pratos com qualidade de bistrô por preço acessível no mesmo lugar? Dá!
Além dos cafés, tem sucos orgânicos, cervejas e uma boa seleção de vinhos.
O menu é renovado de tempos em tempos, mas tudo é gostoso e reflete o modo de preparo artesanal. Das opções vegetarianas (claro), os meus preferidos são as mini pizzas de berinjela e a de abobrinha, o puff de pão sírio e a empanada de catupiry.
Perfeito pra um lanche da tarde, um happy hour, ou pra comer algo gostoso depois de fazer compras.

Rua das Roseiras, 233, Quiosque 03. (Pra facilitar: fica no térreo do Supermercado Confiança da Avenida das Esmeraldas.)

Eu já sei que tem gente de Marília lendo aqui e quero ouvir os pitacos e as sugestões de vocês! ;-)


EDITADO - 04/08/2016
Ai, gente, dei notícia velha. O La Basque fechou! A Kopenhagen continua no mesmo lugar, mas é uma pena, porque era uma delícia de lugar e vai deixar saudade! =(

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Como é ser vegetariana

Quando digo que sou vegetariana, é muito comum que as pessoas perguntem: "deve ser difícil, né?" Não é não!


Ao contrário do que muita gente me pergunta, eu não vim de uma família de vegetarianos. Na minha casa sempre teve alguma carne quase todos os dias e reunião de família normalmente tinha churrasco. Mas eu também nunca fui uma grande carnívora. Meu interesse pelo vegetarianismo começou quando eu tinha uns 14 anos, por uma coluna numa revista que falava sobre o mercado de carne de cachorro. Aquilo foi muito chocante e despertou a sensibilidade para o fato de tantos animais serem mortos para o consumo o tempo todo. Fui parando gradualmente de comer carne - às vezes comia uma vez por semana, às vezes ficava seis meses sem comer... - e parei totalmente só depois dos 20, quando em um almoço eu percebi que simplesmente não conseguia mais. Eu não lembro a data exata disso, mas a sensação de asco ao ver carne nunca mais mudou.

A parte interessante é que várias pessoas da minha família reduziram muito o consumo de carne por causa dos meus novos hábitos.


Não fico brigando com quem come carne perto de mim. Esse tipo de coisa não ajuda em nada. Eu evito olhar porque acho realmente desagradável, mas hora da refeição não é o melhor momento pra falar sobre vida veg, então guardo meus comentários. Feliz ou infelizmente, as pessoas ainda podem decidir em relação a isso, mas tento me lembrar daquilo que eu comentei nesse post e ajudar a fazer do mundo um lugar mais pacífico!

É comum que me perguntem se eu já presenciei algum animal sendo abatido, se já assisti esses vídeos que rolam na internet tipo Terráqueos ou A Carne é Fraca. Nunca assisti e nem pretendo. Eu sempre amei animais e assistir algo do tipo só me faria sofrer e odiar a humanidade, além do que não me acrescentaria em nada, porque minha decisão está tomada e não vejo possibilidade de voltar atrás. Não existe médico, nutrólogo ou quem quer que seja que me convença de que eu preciso comer um bicho pra me manter viva e saudável.

E as pessoas entendem? Na maioria das vezes, sim. De vez em quando aparece alguém com um comentário idiota, mas isso é exceção. Nem dou atenção.


E nos restaurantes? Normalmente nos cardápios sempre tem alguma coisa sem carne. Quando não tem, eu converso com o garçom e peço pra modificar algum prato e retirar a carne. Na maioria das vezes eles colaboram. De vez em quando eu ainda encontro um ser iluminado que sugere também incluir mais alguns legumes e eu fico felizona, hahah! Só uma vez aconteceu de não ser possível modificar nada, mas a chef se ofereceu pra fazer um risoto com cogumelos (que não existia no menu - e estava divino) e deu tudo certo. Eu não deixo de ir a lugar algum por ser vegetariana; vou a restaurantes, bares, festas e churrascos. Às vezes as opções são mais limitadas pra mim, mas dá pra ser feliz assim mesmo.

E come o quê? Todo tipo de frutas, legumes, verduras, grãos, massas, farinhas, castanhas, brotos, queijos e as infinitas preparações da combinação desses ingredientes. Ainda não sou vegana, mas é algo que eu quero alcançar sim; tenho cada vez menos vontade de consumir lácteos, nunca bebi leite propriamente, iogurte parei faz tempo, queijo e ovos já consumo bem menos do que antes e tofu me faz muito feliz! s2 s2 s2 Também tenho me interessado muito pela alimentação crudívora e assim que o calor voltar eu quero me dedicar de verdade a isso. Ser vegetariano é descobrir um mundo de novos sabores, texturas e condimentos.


A minha saúde melhorou muito. Alguns anos atrás minha imunidade era horrivelmente baixa, atualmente já é raro que eu fique doente. Dificilmente tomo remédios; faz quase dois anos que não preciso de antibióticos, e até um analgésico pra dor de cabeça é super raro. De vez em quando tomo suplemento de vitaminas e ferro. Os exames de sangue estão perfeitos. Ao contrário do que muita gente pensa, não existe essa de vegetariano ser fraco e doente. É perfeitamente possível ter uma alimentação bem completa sendo vegetariano, com o bônus de consumir menos toxinas e gordura - sem contar a consciência leve de estar fazendo a minha parte pelo bem dos animais e do meio ambiente. Além disso, agora eu tenho mais disposição, não tenho aquele sono depois do almoço, o corpo desinchou, perdi gordura e celulite.

A pergunta que todo mundo faz: e as proteínas? Existem muitas fontes vegetais de proteínas, não existe motivo pra comer carne pra suprir essa necessidade do nosso corpo, olha só:


Quem tiver perguntas, pode deixar nos comentários que eu vou adorar responder!

terça-feira, 3 de maio de 2016

Por que eu saí dos grupos vegetarianos do Face

Entre em qualquer página sobre vegetarianismo no Face ou no Insta, clique em um post aleatório e comece a ler os comentários: eis que a palhaçada começa.

Primeiro que tem aquele povo a quem falta louça pra lavar, livro pra ler, série pra assistir, trabalho pra fazer, sei lá, qualquer coisa útil pra ocupar o tempo e precisa mostrar ao mundo sua cretinice e entra lá só pra criticar, encher o saco e soltar frases burras contendo as palavras bacon, bife, tomates gritam, hipocrisia e afins. 

Mas ainda mais ridícula do que o povo que não é vegetariano e entra nesses grupos só pra causar, temos uma outra categoria: vegetarianos criticando outros vegetarianos. E essa, com sua constante chuva de palavras como hipocrisia e especismo, é a que me mata. A gente entra nesses grupos esperando encontrar um ambiente propício pra trocar ideias, falar de suas experiências, receber dicas, e ao invés disso vê um monte de gente se digladiando pra ver quem é mais vegan.

[Ouvi dizer que morre um panda cada vez que uma pessoa diz hipocrisia ou especismo. A mesma coisa acontece quando alguém diz tendência, in love ou digital influencer.] 

Meses atrás encontrei um ótimo perfil no Insta que falava sobre produtos veganos que podem ser comprados em qualquer supermercado. Tinha sucos, bolos, biscoitos, balas, docinhos, sorvetes e mais um zilhão de coisas, mostrando que pra ser vegano não precisa excluir todas as gordices do cardápio nem viver só de alimentos orgânicos e crus, é só uma questão de adaptação. Quando alcançou alguns milhares de seguidores, chegaram os enchedores de saco: "Mas esse produto não é vegano! A empresa que fabrica esses biscoitos também produz biscoitos contendo leite e ovos." 

Pois é. Acontece que ainda não escreveram O Livro Sagrado do Veganismo, então enquanto isso não acontece, será que dá pra deixar cada um ser vegano como pode e como entende correto? O mundo está globalizado, meu povo. Empresas compram outras empresas o tempo todo e isso torna difícil saber quando uma empresa é 100% vegana ou não, porque pode ser que uma empresa vegana seja só um braço de uma grande empresa não-vegana. Se uma determinada empresa produz alimentos veganos/vegetarianos e outros não, que tal escrever pra ela demonstrando seu interesse nos primeiros? Que tal convencer mais algumas pessoas a fazerem isso? É um feedback mais efetivo do que o boicote total sem comunicação nenhuma.

E se for pensar mais profundamente, aquele produto vegano pode estar sendo vendido em uma embalagem não reciclável que só vai poluir o planeta. Podem ter morrido roedores durante a colheita dos grãos de que ele foi feito. Ele foi transportado em um veículo que queima combustível fóssil e polui a camada de ozônio. Mon amour, nada é perfeito nesse mundo, nem mesmo seu biscoito vegano produzido pela empresa vegana que você ama. Então vamos ter bom senso antes de sair rosnando.

Continuando a minha saga, outro dia num grupo de vegetarianos alguém escreveu que recentemente tinha se dado conta do quanto podia fazer em defesa dos animais e do planeta. O cara relatou que tinha se tornado vegetariano há alguns anos, que passou a fazer compras mais conscientes pra causar o mínimo desgaste ao meio ambiente, que tinha inclusive adotado um cachorro de rua que estava abandonado e que deu a ele uma vida boa e feliz, que a vida dele próprio estava mais leve, e que estava satisfeito com o impacto positivo que suas atitudes vinham tendo nas pessoas que convivem com ele. O que algumas pessoas responderam?

"O que adianta adotar um cachorro, se você tem a morte no prato?"
"Espero que a ração do seu cachorro seja vegana, caso contrário sua 'atitude' não adiantou nada."
"Nem vegan você é e tá achando que faz muita coisa."

Sério. Eu quase tive um surto psicótico.

O cachorro que estava vagando pela rua, dormindo pelos cantos, sendo chutado, passando fome e frio, correndo risco de ser atropelado NÃO ESTÁ NEM AÍ se o cara que o adotou é vegano. O moço em questão deu a ele uma casa, comida, cuidados veterinários, amor e uma cama confortável pra dormir, sem contar que ele não precisa mais se preocupar se vai ser agredido ou se terá algo pra comer hoje. Assim como o porco que eu adotei não está interessado em saber o que eu como. Ele está muito ocupado vivendo - o que não aconteceria se eu não o tivesse levado pra minha casa.

O cara do comentário original deve ter ficado tão apavorado com a estupidez que outras pessoas escreveram em seguida que apagou o texto dele.


Isso não é uma regra, mas tem muito vegano por aí se achando a última Coca-cola do deserto só porque é vegano. Ser vegano é ótimo, é relevante pro planeta, é uma demonstração de respeito aos animais e ao meio ambiente, mas está longe de te tornar uma pessoa perfeita. Tornar-se vegano não transforma ninguém num elfo de Valfenda. Ser vegano não dá a ninguém o direito de apontar dedos na cara das pessoas nem de dizer que aquilo que elas fazem (em prol do meio ambiente e dos animais) é ridículo. 

Eu sei que, muitas vezes, a vontade de defender a natureza e os animais é tão grande que, na ânsia de fazer alguma coisa por eles, a gente pode acabar se equivocando e sendo indelicado (ou muito grosso mesmo, kkk) com aquela pessoa que adora dizer que é super carnívora, com aquela que diz que usa pele mesmo e não vai parar, com aquela que gosta de pescar, com aquela que usa seu blog pra fazer propaganda de produtos testados em animais. Mas a crítica destrutiva não leva a nada, a não ser à criatura em questão pegar ainda mais bode dos naturebas. 

Eu sou da opinião de que é impossível fazer tudo, mas é melhor fazer alguma coisa do que não fazer nada. Claro que fazer muito é melhor do que fazer pouco, mas qualquer atitude, pequena ou grande, é importante. Ser vegetariano, ser vegano, separar o lixo, comprar só o necessário, não desperdiçar água nem energia, usar menos o carro, valorizar o comércio local, adotar um animal, cuidar dos animais de rua, não comprar produtos testados em animais, assinar petições, tudo tem sua relevância. Apoiar quem tenta fazer alguma coisa é importante. Menosprezar os esforços dos outros não leva a nada.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Links da semana

Semana passada estava lendo um texto qualquer e aí fui seguindo links, que levaram a outros links e mais outros e assim por diante até que fui parar no sensacional Menos 1 Lixo. Vocês já conhecem? Lá se fala de vida sustentável de forma prática, sem frescura e sem paranoias, tratando de consumo consciente de uma forma bem fácil de entender e pôr em prática. Um dos links da semana veio de lá!

1. Prédio residencial terá mais de 100 árvores na fachada!


2. A Faber Castell misturou pixel art (quem mais fazia? Eu era apaixonada!) com a mania dos livros de colorir e e lançou Color PXL: desenhos quadriculados pra baixar, imprimir e pintar. Uma fofura!


 
4. O que acontece se você parar de comer carne só de segunda-feira?

5. O amor bom é fácil (discordo desse texto em muitos pontos, mas vale a reflexão, além de ser uma delícia de ler!)

6. Um pai conta em quadrinhos os diálogos que tem com seus filhos Daniel e Bianca


7. O mundo anda hostil

"Nós criamos laços. Nós nos permitimos isso. E é essa a mágica da vida: descobrir o outro 
para além do superficial."

E vocês, o que andam lendo de bom na internet?

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Comprando produtos veganos na Casa Veg

Um dos pequenos desafios diários em ser vegetariano/vegano é encontrar comida pronta saborosa, saudável e prática, do tipo que é só aquecer e comer. Vários anos atrás eu encontrava facilmente pra comprar os produtos à base de soja da Superbom, mas depois passei a não achar mais nada nas três (!!!) cidades onde tenho residência, então a opção foi procurar na internet. Numa dessas buscas fui parar na Casa Veg e achei um monte de coisas legais.

Minhas compras foram essas:


Bife vegetal, salsicha vegetal, almôndega vegetariana ao sugo, cubinhos ao molho mexicano, medalhão ao molho madeira e gojiberry. Todos vem com 400g, exceto o Goji. Os produtos não tem conservantes nem corantes artificiais.

O bife e a salsicha eu já conhecia e são bons. O sabor é suave, então é legal acompanhar com um molhinho tipo ketchup, mostarda ou maionese (existe maionese vegana, viu gente?). A salsicha também fica bem gostosa com molho de tomate no cachorro-quente. Os outros produtos vou experimentar nos próximos dias e estou curiosa! Se quiserem post falando sobre eles, é só dizer aí nos comentários.

Na Casa Veg ainda tem uma infinidade de opções de cereais, suplementos, molhos, bebidas, biscoitos e doces, tudo vegano.


Gosto de gente que se preocupa com o bem estar do planeta! Nada veio embalado no plástico bolha e a caixa e a nota fiscal são de papel reciclado.
Como não vou precisar transportar coisas em caixas de imediato, dei pros gatos se divertirem e o Louis já deu um bom uso pra ela.

Aqui de boas escondendo meu ratinho de pelúcia

Fica então a dica para os vegetarianos e também pra quem procura por alimentos mais saudáveis e sem gordura animal!

* Este post não é publieditorial!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Absurdos que vegetarianos ouvem

Não são poucas as bobeiras que pessoas falam sobre vegetarianos por não conhecer o que é o vegetarianismo. Mas separei apenas algumas das frases mais comuns, que não tem o menor embasamento.



12. "Vamos a uma churrascaria, mas fica tranqüilo (a), lá servem alface!"
Vegetarianos não se alimentam só de folhas. Você só come carne, laticínios e ovos? Há uma infinidade de possibilidades em uma alimentação vegetariana/vegana.

11. "A soja que os vegetarianos comem devasta as florestas"
Vegetarianos não comem só soja (e alface). E cerca de 80% da soja produzida no Brasil e que realmente devasta as florestas é destinada à produção de ração animal. O Brasil exporta milhares de toneladas de soja e outros grãos para países que criam animais para abate de forma intensiva, ou seja, fechados em confinamento. Cerca de 70 bilhões de animais são mortos para consumo humano no mundo todo ano, e a maioria absoluta vem de fazendas e esses animais precisam comer. Eles consomem soja, milho e outros grãos que poderiam alimentar pessoas. Seria mais inteligente, ecológico e sustentável usar nossa capacidade de produzir alimentos para alimentar pessoas e não criar bilhões de animais para dar comida, matar e comer uns pedaços.

10. "Sou vegetariano, mas como peixe"
Peixes tem sistema nervoso central e sentem dor, exatamente como você, eu, seu cachorro, vacas, porcos, frangos, zebras, ornitorrincos. Se você come algo que já esteve vivo e se mexendo, você não é vegetariano.

9. "Eu amoooooooo animais!" (pessoa falando no intervalo entre um pedaço e outro de bife)
Ama alguns animais, né? Cachorros, gatos, talvez pássaros. Você não paga pela morte de alguém que você ama pra comer um pedaço.

8. "Humanos não devem ser vegetarianos porque tem caninos."
Gorilas e pandas também tem caninos e não se alimentam de carne. E os caninos deles são bem desenvolvidos, não são como esses dentinhos minúsculos que nós temos. Dentes tão pequenos não foram feitos para caçar, então vamos parar por aqui.

7. "Eu quase não como carne vermelha, mas não sou radical."
Tá, e daí? 

6. "Vegetarianos são chatos!"
Pessoas que diziam que era errado escravizar seres humanos por diferença de cor de pele também eram vistas como chatas, umas lunáticas insuportáveis. Acontece que é difícil ficar de boca fechada diante de um genocídio. É MUITO difícil manter a calma quando você considera as vacas tão lindas e fofas e aparece um idiota só pra te irritar dizendo "hummm amo uma picanha". Um dia talvez você entenda, caso ainda não seja vegetariano.

5. "Minha comida caga na sua."
Antes que algumas pessoas estranhem o uso desses termos por aqui (oi, mãe!), vou deixar claro que não uso esse tipo de vocabulário, apenas quero ilustrar que, infelizmente, essa é uma frase muito usada por pessoas grosseiras e desocupadas principalmente no Facebook quando se metem em páginas de vegetarianos. É simples de entender: vegetarianos não comem pasto, grama, mato ou qualquer coisa que fique debaixo das vacas e bois. Esses animais também não ficam em hortas e pomares. O que fica debaixo deles é o que eles comem, ou seja, sua "comida" come comida cagada.

4. "Vegetarianos são magros e ficam doentes facilmente."
Bom, eu posso ser magra, mas minha saúde vai muito bem, obrigada! O ultramaratonista Scott Jurek é considerado o maior atleta do mundo em seu esporte e é vegano. Também há lutadores de MMA e atletas de várias modalidades que são veganos.

3. "Eu morro de dó dos animais, mas amo carne!"
É uma frase da pessoa querendo ser legal, tentando mostrar que se importa com a causa. Ela não se lembra da ligação entre carne (fibras musculares, sangue e nervos) e animais. E só pra não esquecer: não tenha dó, tenha atitude. Você sentir pena não faz diferença na vida de ninguém.

2. "A alface também tem vida."
Essa é uma variação para "os tomates gritam quando são cortados". Gente, não é possível alguém acreditar que uma alface sofra como um boi, galinha, peixe ou porco. Os animais tem sistema nervoso que lhes permite sentir dor, alegria, medo e outras emoções. Vegetais não tem essa capacidade. Bem simples isso.

1. "De onde você tira suas proteínas?"
As proteínas estão em abundância em alimentos de origem vegetal. É incrível como ninguém se preocupa com elas no dia a dia, mas basta uma pessoa dizer que é vegetariana para que caiam crachás do céu e todo mundo à sua volta se transforme em nutricionistas honorários, que, claro, levam uma vida super regrada e se preocupam com colesterol, diabetes, problemas cardíacos, além de conferir a quantidade de vitaminas que ingerem com uma calculadora. Como vai a sua ingestão diária de zinco? Selênio? Vitamina C? Manganês? Alguém realmente se preocupa com isso?

Bônus: "Bacon é vida!"
Não, bacon é um pedaço gorduroso da barriga de um animal morto. Mas enfim não vou discutir gostos. Por exemplo, eu detesto jiló mas tem gente que adora. Você pode adorar comer bacon, mas é válida uma reflexão se é justo proporcionar toda a dor e o sofrimento de uma vida de confinamento que termina em abate para o porco, que não tem interesse nenhum naquilo que você prefere comer e, portanto, nem deveria ter entrado na história.

[Adaptado (com meus pitacos) do blog do Fabio Chaves, que também escreve o site Vista-se]

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Cozinha quase vegan da Anne: Guirlanda de tomatinhos

Inaugurando aqui uma sessão que já vinha planejando há tempos: a Cozinha quase vegan da Anne, onde trarei receitas vegetarianas ou veganas que possam agradar gregos e troianos e não somente pessoas que tenham restrições ao consumo de produtos de origem animal.
Conforme o que eu já disse quando abordei inicialmente esse tema, minha intenção aqui não é procurar convencer ninguém a se tornar vegetariano ou vegano, mas sim apresentar novas possibilidades, combinar de forma diferente os alimentos e enriquecer nossa dieta, tudo isso com pratos fáceis de fazer - até porque não é todo mundo que tem muito tempo pra ficar na cozinha elaborando refeições saudáveis.

Então vamos à primeira receita?

Tenho tentado há três anos (sim, TRÊS ANOS) fazer essa receita no Natal e nunca dava certo: ou os tomatinhos acabavam na cidade inteira, ou só achava tomatinhos verdíssimos, ou esquecia de comprar algum outro ingrediente... e por aí vai.
Então posso dizer que ter conseguido fazer essa receita nesse Natal foi praticamente um sonho realizado! Hahaha!
O único ingrediente de origem animal aqui é o queijo. Para torná-la vegan, basta substituir o queijo amarelo por tofu.


A montagem dessa guirlanda é bem simples: em uma travessa redonda de vidro, fiz uma base com algumas folhas de alface (podiam ser salsinhas também). Em seguida arrumei os tomates cereja, as azeitonas recheadas e os cubinhos de queijo e finalizei com duas folhas de cebolinha.

Ficou uma salada bem diferente das que eu costumo fazer!

O que acharam?

sábado, 7 de dezembro de 2013

Vegetariana: como e por quê

Quando eu digo que sou vegetariana, a coisa mais comum do mundo é ouvir coisas do tipo:
"Por quê?"
"Então o que você come?"
"Nem frango?"
"E peixe?"

Mas também teve a história daquela tia que, quando ouviu de mim que eu não como nenhum tipo de carne, respondeu: "Mas tem que comer!". Nessas horas eu sou bem menos educada e sugeri a ela que perguntasse a uma vaca o que ela acha disso. Desculpa, gente, paciência tem limite; eu não saio por aí tentando converter os outros à minha opção, então por gentileza, respeitem a minha. Que, aliás, não prejudica ninguém.

Então por que eu me tornei vegetariana?
A resposta é simples (e óbvia): pelos animais.

Na verdade, nunca eu gostei verdadeiramente de comer carne. Desde pequena, já não tinha nenhum especial apreço pelo sabor, pela textura, e principalmente por estar comendo um pedaço de um animal. Ao fato de já não gostar muito, juntou-se um conhecimento que foi sendo adquirido a respeito de como são tratados os animais de produção. E também a consciência de que uma vaca, uma galinha e um peixe não sentem diferente do que sentem os meus gatos, cachorros, pássaros e... peixes. E de que nenhum animal deveria morrer pra servir ao consumo humano. E por fim, mas não menos importante, o conhecimento de que todos os nutrientes que vem da carne podem ser substituídos por outros, sem que ninguém tenha que morrer pra que eu possa me alimentar adequadamente.


Depois disso, não querer mais comer carne - nenhum tipo de carne - foi algo absolutamente natural e simples.

Acho incrível uma pessoa não se sensibilizar ao ver um caminhão com animais indo para o matadouro. Acho igualmente inacreditável achar que, por eliminar três ou quatro ingredientes do cardápio, só sobram folhas. A alimentação vegetariana pode ser tão variada quanto, e até mais, do que a onívora.

Uma vez vi uma estatística que dizia que uma pessoa, ao se tornar vegetariana, poupa em um ano só uma vaca e cinco frangos. Não sei dizer até que ponto um vegetariano faz diferença na indústria da carne, mas posso dizer, grosso modo, que tenho a consciência tranqüila por estar salvando a minha vaca e os meus cinco frangos. Dez vegetarianos salvam dez vacas e cinqüenta frangos. Cem vegetarianos salvam cem vacas e quinhentos frangos. Quem dirá que isso não faz diferença?

E pra finalizar, posso dizer com toda certeza que a minha alimentação sem carne está mais saudável, variada e colorida do que nunca. Desde então não fiquei mais doente. No início da mudança de hábitos, em três meses eu perdi em torno de um quilo e meio - o que não é muito, mas é razoável considerando que não houve nenhum esforço específico pra perder peso, e que nesse período até reduzi um pouco a carga dos meus exercícios porque estava fazendo muito calor. Melhor ainda, após 20 dias sem carne a minha celulite diminuiu visivelmente cerca de 80%.
Algo mais animador que isso?
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